sexta-feira, 11 de julho de 2008

Retrato de 1 portugal.....

“… Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (…) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…) Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (…), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)
Guerra Junqueiro, in “Pátria”, escrito em 1896

Note-se que o texto a negrito fui eu que coloquei. No entanto, e pasmem-se isto foi escrito em 1896, que para quem não saiba foi no séc. XIX (19). Posto isto é impressionante como a única coisa que não se transformou foi mesmo a nossa mediocridade enquanto povo. É Triste, é lamentavél… mas se calhar… Vale a pena pensar nisto e a Sério!

O Governo é......



Recordo-me de um jantar em Castelo Branco onde José Sócrates, na altura Secretário-geral do PS disse que “um Governo é bom quando nos aproxima da média europeia; um Governo é mau quando nos afasta da média europeia”.
Três anos e meio depois do repasto beirão, 36 meses corridos de administração absoluta socialista, a Comissão Europeia e o Eurostat demonstraram que a economia nacional está a divergir cada vez mais do resto da Europa. Portugal, que já ocupou o 14º lugar no ranking europeu, está hoje na 17ª posição e tudo indica que, em 2008, será ultrapassado pela Estónia e por Malta, conseguindo assim uma brilhante 19ª posição na Europa dos 25.
Porém, o Governo ilude-se. Na boa tradição socialista confia na retoma económica para resolver todos os problemas, mas esta tarda em chegar. Ilude-se duplamente, porque pensa que essa retoma será suficiente para resolver os problemas do País. Pura ilusão!
Nos últimos anos, a taxa de crescimento do produto potencial português, i.e. o nível de produto no qual os recursos existentes numa economia estão empregues na sua totalidade, tem vindo a diminuir brutalmente. A Comissão Europeia alerta que o País tem crescido a níveis próximos da “máxima eficiência” e que, em 2007 e 2008, a economia portuguesa estará a crescer acima do seu produto potencial e, ainda assim, conseguindo um crescimento real de, respectivamente, 1,5% e 1,7% do PIB. Pior que crescer pouco é não ter forma de crescer mais!
A outra ilusão é a de que o crescimento económico por si só basta. Nem de perto. Enquanto não se reformular o papel do Estado Social não há orçamento que fique duradouramente equilibrado, nem país que consiga invariavelmente viver acima das suas possibilidades.
Mas há uma dimensão política para além da estafada crise económica. O Governo de Sócrates não aceitando outras formas de financiamento das políticas sociais, rapidamente vai perceber que a única solução será a de continuar a cortar e a cortar sem que as contas se equilibrem.
Assim sendo, resta-nos apenas saber quantos mais anos pensa Sócrates manter o crescimento negativo dos salários reais? Quanto mais anos de divergência económica? Quantos mais anos de atraso?
É o próprio Sócrates que responde a Sócrates: “um Governo é bom quando nos aproxima da média europeia; um Governo é mau quando nos afasta da média europeia”. Então, segundo o próprio, o dele não é apenas mau... é péssimo.

Se tivesse nascido há 100 anos....



A 20 de Outubro de 1917, resultado da fusão entre dissidentes do Partido Evolucionista e outras figuras políticas proeminentes da 1ª República, publicou-se o programa do Partido Centrista Republicano. Marcado fundamentalmente por um liberalismo de influência britânica contava como fundadores destacadas personalidades, entre as quais: Egas Moniz, Vasconcellos e Sá, Simas Machado, Malva do Vale, Tamagnini Barbosa e Padre Casimiro.
Teve vida curta, mas foi de boa memória;
" (…) Assim não somos radicais, porque nem todas as raízes se cortam; as árvores não vivem sem raízes; mas não somos tão pouco conservadores, no sentido de retrógrados ou reaccionários, porque não excluímos dos nossos propósitos o espírito de reforma e de evolução. Somos moderados no radicalismo da nossa projectada acção: preferimos conservar, melhorando, as energias nacionais, olhos postos nos ideais de reforma social cujas reivindicações justas conhecemos.
Entendemos, porém, que dentro da fórmula republicana que corresponde ao estado actual da nossa sociedade, afirmando ser liberais definimos consequentemente a nossa reprovação a toda a tirania e a toda a violência, porque também são possíveis no regime, quando ele permite a degenerescência demagógica e a anarquia que tudo destrói e tudo esteriliza.
Governar com a disposição geral dos espíritos num dado momento, atendendo aos direitos adquiridos, mesmo aos interesses legitimados por tradição ou velha legislação estabelecida nos costumes, é prática adoptada e adequada à resolução de complexos e melindrosos problemas políticos; mas governar firme em defesa dos princípios liberais, sem levar a transigência aos limites da subserviência, porque governar é sobretudo prever as evoluções do País que se quer conduzir à prosperidade e preparar-lhes o advento, se o determinismo dos factos o torna necessário. "
Programa do Partido Centrista Republicano, 1917


É pena, que as boas intenções fiquem pelo caminho….. E não pude deixar de pensar hoje de manhã com uma notícia que li de relance “Fisco quer prender devedores”…. Ou seja a administração fiscal quer ser juíza em sede própria. Não vou sequer tecer comentários de qualquer índole sobre esta inusitada situação, apenas quero deixar uma questão em aberto: Quem prende o estado quando este não paga? Quem assume responsabilidades por prazos de pagamento de alguns anos, como o estado faz? Quem põe ética e moral no comportamento irresponsável quando se perdem vidas por incúria do estado? Que estado é este que diz a uma vítima que não tem dinheiro para lhe pagar a indemnização a que foi obrigado por um tribunal, porque não cuidou da conservação de uma parede (o que era sua obrigação), provocando a morte ao seu companheiro e deixando-a com uma deficiência para o resto da vida?
Que estado é este que prefere gastar milhões na construção de uma ponte de qualidade duvidosa, em vez de criar infra estruturas condignas? Afinal…. Que governo/ estado temos? E será que o queremos?

A retórixa de Sócrates

"A retórica é a técnica (ou a arte, como preferem alguns) de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também — e com muita relevância — o discurso escrito e o discurso visual.
Em verdade, a oratória é um dos meios pelos quais se manifesta a retórica, mas não o único. Pois, certamente, pode-se afirmar que há retórica na música ("Para não dizer que não falei da Flores", de Geraldo Vandré: retórica musical contra a ditadura), na pintura (O quadro "Guernica", de Picasso: retórica contra o fascismo e a guerra) e, obviamente, na publicidade. Logo, a retórica, enquanto método de persuasão, pode se manifestar por todo e qualquer meio de comunicação.
A retórica aristotélica, de certa forma herdeira daquela de Sócrates, procura fazer o interlocutor convencer-se de que o emissor está correcto, através de seu próprio raciocínio. Retórica não visa distinguir o que é verdadeiro ou certo mas sim fazer com que o próprio receptor da mensagem chegue sozinho à conclusão de que a ideia implícita no discurso representa o verdadeiro ou o certo.
A retórica era parte de uma das "três artes liberais" ou " trivium" ensinadas nas faculdades da Idade Média (as outras duas corresponderiam à dialética e gramática)."
Definição retirada da Wikipedia
Realmente, assim se explica os dislates do nosso 1º ministro quando nos procura fazer ver e acreditar no que ele observa e acha como certo..... Eu sabia que haveria uma explicação devidamente fundamentada, e com base e rigor cientifico, para nos fazerem crer que vivemos num Páis diferente daquele que todos os dias observamos à nossa volta.
Finalmente, creio, na minha humilde e modesta opinião ter encontrado a resposta....

Mestrado em Campos de Golfe????



Foi Publicado no Diário da República Portuguesa - V série de 30 de Fevereiro de 2008
Objectivos:São objectivos do curso proporcionar as competências necessárias aos formandos na área da gestão de empresas e organizações do turismo ligadas à actividade do golfe e na área da manutenção de campos de golfe e espaços verdes de lazer. Pretende-se formar técnicos capazes de articularem o processo da gestão e da manutenção de campos de golfe adequado ao desenvolvimento sócio-económico das áreas-destino numa perspectiva de sustentabilidade social, económica e ambiental.O Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe pretende também reforçar a formação de profissionais e investigadores, capazes de desenvolver ferramentas de estruturação, planeamento, gestão e manutenção que promovam o crescimento do turismo e das suas organizações de forma integrada e numa perspectiva de longo prazo.Este Mestrado, com uma característica multidisciplinar, desenvolver-se-á predominantemente em torno de diversas áreas do saber aplicadas ao Turismo: a Gestão, a Economia, o Ambiente, a Biologia, a Agronomia, a Engenharia e a Arquitectura Paisagista .São igualmente objectivos do curso proporcionar os conhecimentos necessários às empresas e organizações do golfe com vista à sua internacionalização e à criação de novas formas de empresariado; e transmitir o conhecimento mais recente e as best practices nas áreas da gestão e manutenção de campos de golfe.

Condições de Acesso:Curso superior ou equivalente em Agronomia, Arquitectura Paisagista, Ambiente, Biofísica, Biologia, áreas afins e profissionais com currículo adequado (especialização em Manutenção de Campos de Golfe).Curso superior ou equivalente em Gestão de Empresas, Economia, Turismo e Informação e Animação Turística (especialização em Gestão de Campos de Golfe).
Local: Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais, Campus de Gambelas, Faro
Propinas:€3.250,00
(O texto acima transcrito foi retirado do site da Universidade do Algarve na descrição do referido curso)
….. existe um Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe….. E ainda há quem diga que não se investe no ensino superior????’
Cá pela TUGALÂNDIA já estamos bem mais avançados, criamos um Doutoramento(com direito a ser tratado por Prof. Dr., ou Doutor (por extenso – ao contrário dos licenciados que só têm direito ao Dr.) em Engomadoria e Lavagem de vestuário pret-a-porter ….
Para os mais incultos, esclarece-se que qualquer peça de roupa comprada em loja de centro comercial está integrada no plano curricular….. Além de que a tese terá que ser defendida perante um júri “honoris Causa” de Donas de Casa (não muito deseperadas)…e aguardamos com a expetância desejada a agremiação para provas de jubilação dos novos dótores.
È que cá na TUGALÂNDIA preocupamo-nos com o bem estar de TODOS os nossos concidadãos e não apenas daqueles que podem jogar golf (passe a publicidade á Volkswagen).
Mais ainda, esclarecemos que por cá queremos um ensino superior de qualidade e que vise o enobrecimento quer dos alunos, quer dos cidadãos contribuintes!

A aventura quixotesca


Creedme - dice Lanzarote mientras le poner una mano sobre el hombre -, no queda en este mundo nada digno de ser defendido por un caballero, unios a mí y abandonaremos estas costas para unirnos a nuestros hermanos de la orden.¿Y hacia donde partís? - pregunta consternado el hidalgo.Hacia el Oeste - responde Amadis - mas allá del mar. Los hombres han visto luz y han creído que es el resplandor del oro. Nosotros los acompañaremos en sus sueños y en sus esperanzas, montamos en sus barcos, inspiramos su valor y sus deseos de gloria.Acompañadnos - repite Lanzarote -, grandes gestas nos aguardan en las nuevas tierras.No - responde apenado el hidalgo - Don Quijote soy, y mi profesión la de andante caballería. Son mis leyes, el deshacer entuertos, prodigar el bien y evitar el mal. Huyo de la vida regalada, de la ambición y la hipocresía, y busco para mi propia gloria la senda más angosta y difícil . Me quedaré en esta Edad de Hierro para recuperar la virtud de la Edad Dorada.(D. Quixote de la Mancha – Cervantes (1605))

Eu, que até nem morro de amores pelos castelhanos, optei por deixar na versão original, sem pretensões de traduções em Portunhol, que em nada beneficiam quem lê.
No entanto, ao reler, questionei-me sobre a figura de D. Quixote (e o seu fiel escudeiro Sancho Pança).
Para quem se lembra D. Quixote era um fidalgo castelhano, que tomado pela “loucura” decide partir a aventura pensado ser um cavaleiro da idade média, em busca de aventura, e de corrigir o mal que via (sempre na senda do seu amor pela sua Dulcineia).
Por uma vez, questiono se não necessitaremos todos de um D. Quixote nas nossas vidas. De alguém capaz de nos questionar franca, e abertamente sobre quais são os nosso propósitos e quais os sonhos que almejamos e que queremos perseguir.
É fácil a crítica pela crítica… mas bastante mais difícil é percebermos o valor da crítica enquanto alicerce do construtivismo que desejamos para a nossa vida e para o que nos rodeia.
Ao acomodarmo-nos ao sistema (sempre esse palavrão anacrónico), perdemos a nossa capacidade interventiva, porque assumimos que as nossas acções irão colocar em perigo os nossos sacrossantos “direitos”. Assim, tornamo-nos uma peça da engrenagem que não hesitamos em condenar quando a mesma nos atinge.
Uma das imagens mais conhecidas de D. Quixote, é a sua carga sobre os moinhos de vento, pensando tratar-se de monstros…. E quantos de nós, já não questionámos os nossos próprios moinhos de vento???
Acima de tudo, e face ao (triste) desenvolvimento a que chegamos, onde deixamos de questionar o que quer que seja, e aceitamos com a resignação das almas penadas o destino que nos traçam, sem sequer utilizarmos o nosso livre arbítrio…. E aceitamos porque nos ensinaram que o devemos fazer, porque existe sempre alguém mais inteligente, ou mais aceite socialmente que detém o poder de nos dizer qual o melhor caminho. Ora, se assim é, não significa que assim deva ser…..
A dúvida subsiste….. seremos nós capazes de sermos um D. Quixote? Ou iremos continuar a ser um moinho de vento?
Existe ainda uma outra alternativa, seremos o Sancho Pança, que apesar de achar que o seu amo (D. Quixote) é um velho senil, embarca com ele na aventura de perseguir inimigos imaginários, porque a sua “consciência” lhe dita que deverá seguir o seu senhor?

A "silly season"


É oficial....está aberta a época da "Silly Season".... o Euro 2008 está a acabar.... o país prepara-se para "ir a banhos", o calor já aperta pelo burgo.... a estranja já pulula pelo centro da cidade (e anda aqui um gajo engravatado com cara de quem deita os bofes de fora)......
Na falta de noticias, ou factos relevantes para comentar.... sim, porque também me chateia fazer a crítica pela crítica, e tendo em conta que "vozes de burro não chegam ao céu", resolvi aproveitar o calor que se faz sentir na rua, para recarregar baterias.... Por outro lado, como a desilusão grassa nas faces das pessoas com que me vou cruzando, definitivamente a esperança apesar de ser a última a morrer, quase de certeza que já anda moribunda......
Ainda assim, tenho uma notícia fantástica para partilhar..... "já só faltam 4 dias para o fim do mês"......
Percebem o porquê da "silly season"? É que nesta altura até o facto de o sr. do quiosque aqui na rua ter berlindes para venda é algo de "extraordinário" e fora do vulgar.
Enfim..... alguns teóricos chamariam a isto o "ópio do povo" e outras brejeirices acompanhadas de estrangeirismos bacocos dignos de uma qualquer tese sobre uma porra qualquer, eu chamo-lhe simplesmente ignorância....
Mas como em épocas de santos populares vale tudo... (até passeios no rio)... venha lá a época dos tolos e das tolices.... é que a pensar bem será semre mais extraordinário comprar berlindes do que pensar nos problemas do país. Ah! E já agora.... poupem-me com as reportagens de onde e com quem é que fulano e beltrano vão passar férias (ou dias) e bordo de que iate, e que camisa é que levam, e quem anda no engate de quem, e quem não entrou na festa X Y ou Z, e outras noticias completamente abichanadas, ou cujo interesse se situa na lina das "tripas à moda do porto e a derrota de napoleão na frente russa em 1812"....
Mal por mal, assim que a "veterinária" do meu centro de saúde me autorizar vou voltar a comer a verdadeira e única "francesinha" com o verdadeiro "Requinte" de voltar a apreciar e a degustar o pãozinho com molho a escorrer....
E se alguém perguntar, porque é que estou a escrever este "post".... é fácil..... também eu entrei na "Silly Season".... portanto estou na época dos tolos, ou seja na minha época!

P.S. (salvo seja) - Quando é que começa a festa da cerveja afinal????

Os suspeitos do costume





De acordo com o NY Times, a União Europeia e os Estados Unidos estão quase chegar a acordo sobre a legislação que permitirá a partilha de informação privada, sem necessidade de mandato judicial, dos cidadãos dos dois lados do Atlântico. Assim, se tentar entrar nos EUA e não lhe permitirem pôr os pés fora do aeroporto não se admire, foi porque o nosso governo, ou as empresas a operar na Europa, passaram para o Tio Sam informações como as transacções dos cartões de crédito, viagens ou os hábitos na net. Mesmo informações mais sensíveis como a raça, religião, opiniões políticas e registos de saúde ou vida sexual podem ser partilhadas, desde que a legislação nacional garanta a suposta protecção dos dados. Curiosamente, o acordo não se preocupa em definir que medidas são essas, deixando o critério a cada Governo. Passo a passo, e sempre em nome da eficácia no combate ao terrorismo, os governos nacionais estão a construir as bases para uma sociedade em que deixamos de ser cidadãos para passarmos a ser suspeitos até prova em contrário.
E já agora, o que dizer da legislação que se prepara em Portugal, para quem "tem" um blogue.... vamos ter que dizer se somos brancos, pretos, laranjas, cor de rosa, se gostamos de bife com batata frita, ou de arroz de pato, quais as conotações partidárias e filiações, entre outras abébias..... eu por mim estou à vontade... a minha veterinária já me disse que não posso abudar de molhos por uns tempos.... deve ser dos meus intestinos de burro....
Tudo sempre em nome das melhores intenções (ou como se dizia...a Bem da Nação) como é natural...

Vai Começar?



Ora bem... estamos em Julho, acabou o futebol (sobra a novela do conselho de justiça), o (des)governo continua, há umas pseudo noticias sobre ursos, linces ou outros bichos.....
E os fogos florestais??? Começam ou não??

Born to be Slave




Os homens dividem-se, na vida prática, em três categorias - os que nasceram para mandar, os que nasceram para obedecer, e os que não nasceram nem para uma coisa nem para outra. Estes últimos julgam sempre que nasceram para mandar; julgam-no mesmo mais frequentemente que os que efectivamente nasceram para o mando.O característico principal do homem que nasceu para mandar é que sabe mandar em si mesmo.O característico distintivo do homem que nasceu para obedecer é que sabe mandar só nos outros, sabendo obedecer também. O homem que não nasceu nem para uma coisa nem para outra distingue-se por saber mandar nos outros mas não saber obedecer.O homem que nasceu para mandar é o homem que impõe deveres a si mesmo. O homem que nasceu para obedecer é incapaz de se impor deveres, mas é capaz de executar os deveres que lhe são impostos (seja por superiores, seja por fórmulas sociais), e de transmitir aos outros a sua obediência; manda, não porque mande, mas porque é um transmissor de obediência. O homem que não nasceu nem para mandar nem para obedecer sabe só mandar, mas como nem manda por índole nem por transmissão de obediência, só é obedecido por qualquer circunstância externa - o cargo que exerce, a posição social que ocupa, a fortuna que tem...
Fernando Pessoa, in 'Teoria e Prática do Comércio'
Quem melhor do que eu..... para me compreender!!!!