
A 20 de Outubro de 1917, resultado da fusão entre dissidentes do Partido Evolucionista e outras figuras políticas proeminentes da 1ª República, publicou-se o programa do Partido Centrista Republicano. Marcado fundamentalmente por um liberalismo de influência britânica contava como fundadores destacadas personalidades, entre as quais: Egas Moniz, Vasconcellos e Sá, Simas Machado, Malva do Vale, Tamagnini Barbosa e Padre Casimiro.
Teve vida curta, mas foi de boa memória;
" (…) Assim não somos radicais, porque nem todas as raízes se cortam; as árvores não vivem sem raízes; mas não somos tão pouco conservadores, no sentido de retrógrados ou reaccionários, porque não excluímos dos nossos propósitos o espírito de reforma e de evolução. Somos moderados no radicalismo da nossa projectada acção: preferimos conservar, melhorando, as energias nacionais, olhos postos nos ideais de reforma social cujas reivindicações justas conhecemos.
Entendemos, porém, que dentro da fórmula republicana que corresponde ao estado actual da nossa sociedade, afirmando ser liberais definimos consequentemente a nossa reprovação a toda a tirania e a toda a violência, porque também são possíveis no regime, quando ele permite a degenerescência demagógica e a anarquia que tudo destrói e tudo esteriliza.
Governar com a disposição geral dos espíritos num dado momento, atendendo aos direitos adquiridos, mesmo aos interesses legitimados por tradição ou velha legislação estabelecida nos costumes, é prática adoptada e adequada à resolução de complexos e melindrosos problemas políticos; mas governar firme em defesa dos princípios liberais, sem levar a transigência aos limites da subserviência, porque governar é sobretudo prever as evoluções do País que se quer conduzir à prosperidade e preparar-lhes o advento, se o determinismo dos factos o torna necessário. "
Programa do Partido Centrista Republicano, 1917
É pena, que as boas intenções fiquem pelo caminho….. E não pude deixar de pensar hoje de manhã com uma notícia que li de relance “Fisco quer prender devedores”…. Ou seja a administração fiscal quer ser juíza em sede própria. Não vou sequer tecer comentários de qualquer índole sobre esta inusitada situação, apenas quero deixar uma questão em aberto: Quem prende o estado quando este não paga? Quem assume responsabilidades por prazos de pagamento de alguns anos, como o estado faz? Quem põe ética e moral no comportamento irresponsável quando se perdem vidas por incúria do estado? Que estado é este que diz a uma vítima que não tem dinheiro para lhe pagar a indemnização a que foi obrigado por um tribunal, porque não cuidou da conservação de uma parede (o que era sua obrigação), provocando a morte ao seu companheiro e deixando-a com uma deficiência para o resto da vida?
Que estado é este que prefere gastar milhões na construção de uma ponte de qualidade duvidosa, em vez de criar infra estruturas condignas? Afinal…. Que governo/ estado temos? E será que o queremos?

Sem comentários:
Enviar um comentário